“Não seja substituído, seja aumentado”: palestra da Unifacear aborda o futuro do trabalho com inteligência artificial

Data da publicação: 01/10/2026

Encontro com estudantes do Colégio Estadual Professora Marilze da Luz Brand, em Araucária, promoveu reflexão sobre mercado de trabalho, inteligência artificial e as competências necessárias para o futuro profissional

No dia 25 de setembro de 2026, o coordenador dos cursos de Gestão da Unifacear – Campus Araucária, Prof. Adm. Msc. Cláudio Roberto Braz da Fonseca, ministrou a palestra “Não seja substituído, seja aumentado” para estudantes do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Professora Marilze da Luz Brand, no município de Araucária.

A atividade teve como objetivo promover uma reflexão sobre as transformações que a Inteligência Artificial (IA) já vem provocando no mercado de trabalho e, principalmente, sobre como os jovens podem se preparar para um cenário profissional cada vez mais marcado pela tecnologia.

Durante a palestra, o professor apresentou dados e estudos recentes sobre as perspectivas do mercado de trabalho para os próximos anos, destacando que a discussão sobre inteligência artificial não deve ser limitada à possibilidade de substituição de trabalhadores. Segundo a abordagem apresentada, a principal questão para os futuros profissionais é compreender como utilizar a tecnologia como ferramenta de ampliação das próprias capacidades.

Entre os dados apresentados esteve um estudo realizado por pesquisadores da Stanford University e do King’s College London, baseado na análise de 1,25 bilhão de anúncios de vagas e 154 milhões de registros de emprego em 41 países. A pesquisa identificou mudanças na composição das equipes após a adoção de IA, com redução da participação relativa de profissionais em posições juniores e crescimento da participação de profissionais mais experientes. O estudo reforça a discussão sobre os impactos da tecnologia especialmente nas portas de entrada do mercado de trabalho.

Outro ponto abordado foi a realidade brasileira. Dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) mostram que a exposição à IA generativa é particularmente relevante entre trabalhadores jovens e em ocupações de entrada. Estudo divulgado pelo instituto aponta que quase 30 milhões de trabalhadores brasileiros estavam, no terceiro trimestre de 2025, em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa.

A palestra também trouxe informações do PISA 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com os resultados, 48% dos estudantes brasileiros afirmaram utilizar chatbots de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para ajudá-los a aprender, percentual próximo à média de 46% observada entre os países da OCDE. O levantamento também mostra que estudantes brasileiros utilizam a tecnologia para pesquisas preliminares, resumo de textos e elaboração de rascunhos para trabalhos escolares.

Para os estudantes, a mensagem foi de que a familiaridade com a tecnologia precisa estar acompanhada do desenvolvimento de competências humanas, pensamento crítico, criatividade, capacidade de resolver problemas, comunicação e disposição para aprender continuamente.

Nesse contexto, o professor também apresentou dados do Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, que projeta profundas transformações no mercado de trabalho até 2030. Segundo o relatório, as mudanças estruturais poderão resultar na criação de aproximadamente 170 milhões de novos empregos, ao mesmo tempo em que cerca de 92 milhões de postos de trabalho poderão ser deslocados, resultando em um saldo líquido estimado de 78 milhões de empregos. O relatório aponta ainda a inteligência artificial e as tecnologias de processamento de informação entre os principais fatores de transformação das empresas até 2030.

Mais do que apresentar números e projeções, a palestra buscou estimular os estudantes a pensar sobre suas próprias escolhas profissionais e sobre a necessidade de desenvolver uma relação consciente com a tecnologia.

A proposta central do encontro foi reforçada pela mensagem que dá nome à palestra: “Não seja substituído, seja aumentado.”

A ideia é que a Inteligência Artificial seja compreendida não apenas como uma tecnologia capaz de automatizar tarefas, mas também como uma ferramenta que pode ampliar conhecimentos, produtividade, criatividade e possibilidades profissionais para aqueles que souberem utilizá-la de forma estratégica e responsável.

Ao final, ficou uma mensagem especialmente direcionada aos jovens que estão prestes a iniciar sua trajetória profissional: "A IA não define o seu futuro. Você define."

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