
Em 2025 o transporte individual como carros, táxis e aplicativos superou o transporte coletivo na região metropolitana de São Paulo. Esse aumento corresponde a 51,2% das viagens diárias segundo a Pesquisa Origem e Destino (Pesquisa OD). Entre 2020 e 2024 esse número corresponde a 65% a mais do que nos outros anos. Com o intuito de pesquisar esse fenômeno, os impactos negativos e os desafios à mobilidade urbana que o estudo “A problemática dos aplicativos de transportes na cidade de São Paulo e uma proposta para solução” se debruçam.
O artigo desenvolvido pelos pesquisadores Renato Sepulveda Barino, Claudia Brito da Cunha e Raphael Sepulveda Barino, analisa os impactos da atuação dos aplicativos de transporte rodoviário intermunicipal na cidade de São Paulo, com foco nos efeitos sobre a mobilidade urbana, a infraestrutura de transporte e a experiência dos usuários.
Embora esses serviços representem inovação e ampliação de opções de deslocamento, o estudo aponta que sua operação desordenada tem gerado problemas como uso de áreas improvisadas para embarque e desembarque, riscos à segurança, aumento de congestionamentos e impactos ambientais.
Para os autores, o crescimento dos aplicativos gera operação informal, oferecendo riscos à população como problemas de segurança no embarque e desembarque que por muitas vezes são realizados em vias públicas ou estacionamentos improvisados. Além da falta de infraestrutura adequada como sinalizações, iluminação e locais seguros.
Outro ponto negativo é o aumento do congestionamento e poluição urbana. No caso de São Paulo, os automóveis à combustão já correspondem a 73% dos Gases de Efeito Estufa de toda a capital, como aponta o Inventário de Emissões Atmosféricas do Transporte Rodoviário de Passageiros no Município de São Paulo realizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).
O estudo conclui que a atuação dos aplicativos de transporte rodoviário intermunicipal, da forma como ocorre atualmente, evidencia lacunas importantes de planejamento urbano e infraestrutura. A ausência de espaços adequados para embarque e desembarque compromete a segurança, a mobilidade e a qualidade do serviço oferecido aos usuários.
A proposta de implantação de um terminal específico demonstra-se viável do ponto de vista técnico, urbanístico e operacional, podendo contribuir para o ordenamento do serviço, a integração com o sistema de transporte existente e a melhoria da experiência do passageiro.
Os autores destacam que o avanço tecnológico no setor de transportes precisa ser acompanhado por políticas públicas, planejamento urbano e investimentos em infraestrutura, para que a inovação não amplie desigualdades nem gere impactos negativos à cidade. O artigo sugere, ainda, a ampliação de estudos semelhantes para outras regiões de São Paulo, como as zonas Leste e Oeste, como forma de descentralizar serviços e estimular o desenvolvimento urbano e a geração de empregos.
Para ler o artigo completo, acesse a Revista Científica Multidisciplinar da Unifacear aqui.