
No dia 03 de março os alunos de Arquitetura e Urbanismo, no âmbito da disciplina Planejamento Urbano e Regional, desenvolveram uma atividade de análise crítica sobre o Estatuto da Cidade, conduzida pela professora Tharsila Fariniuk.
A proposta foi estimular a reflexão sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial no processo de aprendizagem. A dinâmica partiu de um exercício estruturado em duas etapas: inicialmente, os estudantes deveriam utilizar ferramentas de IA para responder a duas questões centrais relacionadas ao Estatuto da Cidade nos municípios brasileiros. Em seguida, os alunos foram convidados a realizar uma análise crítica das respostas obtidas, comentando, em tópicos, aspectos como clareza conceitual, profundidade da argumentação, possíveis generalizações e postura crítica presente nos textos gerados.
A atividade gerou um debate bastante rico entre os estudantes, que compartilharam em sala as respostas obtidas e suas respectivas análises. Um dos pontos que mais chamou a atenção foi a diferença percebida entre as respostas produzidas por diferentes sistemas de inteligência artificial. Os alunos observaram que, embora muitas respostas apresentassem organização textual e linguagem clara, em vários casos os conteúdos mostravam-se superficiais, com generalizações excessivas e críticas pouco aprofundadas. Também foi destacado que, frequentemente, as respostas mantinham um tom neutro e pouco analítico, evitando posicionamentos mais críticos ou discussões mais complexas sobre as limitações institucionais e políticas envolvidas na aplicação do Estatuto da Cidade.
Outro aspecto discutido pelos estudantes foi a tendência das IAs de simplificar conceitos importantes do planejamento urbano, muitas vezes tratando os municípios brasileiros de forma homogênea, sem considerar as profundas diferenças regionais, administrativas e socioeconômicas existentes no país. Essa percepção levou os alunos a refletirem sobre a necessidade de interpretar, complementar e problematizar as informações produzidas pelas ferramentas digitais, reconhecendo que tais recursos podem auxiliar na organização inicial das ideias, mas não substituem a análise crítica e o repertório conceitual do pesquisador ou estudante.
Mais do que promover uma discussão específica sobre o conteúdo do Estatuto da Cidade, a atividade teve como objetivo central estimular uma reflexão mais ampla sobre o uso da inteligência artificial no ambiente acadêmico. O exercício evidenciou que o uso indiscriminado dessas ferramentas, quando empregado como substituição da atividade intelectual, pode levar à reprodução de conteúdos genéricos, pouco aprofundados e com baixo nível de criticidade. Ao mesmo tempo, demonstrou que, quando utilizadas de forma consciente e crítica, as ferramentas de IA podem servir como apoio ao processo de aprendizagem, desde que acompanhadas de análise, interpretação e posicionamento próprio por parte dos estudantes.
Ao final da atividade, os alunos apresentaram seus relatórios e compartilharam suas percepções com a turma, o que contribuiu para ampliar o debate sobre responsabilidade acadêmica, pensamento crítico e o papel das tecnologias digitais na formação universitária. A experiência foi considerada bastante produtiva, pois permitiu que os estudantes vivenciassem, na prática, as potencialidades e os limites da inteligência artificial no contexto da produção de conhecimento.
Confira alguns trechos de análises apontadas pelos alunos, e fotos do debate:
“O resultado tenta reunir todas as informações no menor tempo possível, por isso ocorre uma filtragem em cada assunto mais ao mesmo tempo ele tenta colocar todos os tópicos que considera importante (...) no fim isso contribui para que cada um deles fique raso, mas ao mesmo tempo informativo (...) se quiser precisamos nós mesmos aprofundamos em relação ao que procuramos.” (aluna Maiara Gisele Soares).
“A resposta também trata os municípios de forma muito geral, como se todos tivessem as mesmas condições de aplicar a lei, o que não corresponde à realidade. Além disso, o texto foi neutro, pois não questiona de forma mais crítica se o Estatuto realmente está sendo aplicado ou se muitas vezes acaba ficando apenas no papel.” (aluna Amanda Bronqueti, 7º período).
“Trata como se a fonte das divergências fossem somente administrativas ou políticas, entretanto também são estruturais e históricas” (aluna Nicole Mendonça).

